sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Gil Vicente e a sátira social
   Considerado o primeiro dramaturgo de Portugal, um dos maiores do mundo, Gil Vicente é considerado um autor de transição entre a Idade Média e o Renascimento, sua obra mantém características da religiosidade medieval, mas seu objeto de enfoque é o homem e seu comportamento em sociedade corrompida  Apareceu artisticamente em 1502 nos aposentos de dona Maria encenando o Monólogo do Vaqueiro nas celebrações do nascimento de dom João III, futuro rei de Portugal. A partir daí passou mais de 30 anos trabalhando para a corte portuguesa e escrevendo peças, autos e farsas. Gil Vicente criticou todos os setores da sociedade; a hipocrisia do clero, a tirania da nobreza, a corrupção dos burocratas, etc. O escritor nunca deixou de ser contundente e realista, porém era um privilegiado, pois era protegido e incentivado pelo regime do mecenato pelas cortes dos reis de Portugal (um tipo de proteção artística onde o dramaturgo tinha bastante liberdade para desenvolver seu veio artístico sem se preocupar com a sobrevivência diária, afinal uma crítica a nobreza ou ao clero poderia ser motivo de decapitação naquela época).


A sátira no Auto da barca do inferno

Uma de suas obras primas, o Auto da barca do inferno, personagens do cotidiano aparecem interagindo com personagens míticas como o diabo e o anjo, essa presença sobrenatural não faz com que as obras percam seu foco que é a crítica dos comportamentos da época. Partindo da divisão entre o céu e inferno, várias pessoas de diversas classes sociais, cada uma com as características que representam sua posição na sociedade, depois de mortas se encontram em braço de mar onde estão localizadas duas barcas; a do céu, governada pelo anjo e a do inferno com o diabo e seu companheiro. Além dessas personagens há mais 14 que embarcarão em uma das barcas, com exceção do judeu que parece subir em outra barca rebocada pelo diabo. As personagens levam consigo símbolos que representam seus pecados, o fidalgo traz o pajem e a cadeira significando luxúria, o agiota e seu bolsão denotam avareza, etc.


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